poeminhas p/matar o tempo e distrair dor de dente.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

ÁGUAS DE JANEIRO

Como sempre
as chuvas caíram.

Como nunca
as águas traíram.

Desceu o morro
entre árvores, lama e pedras

enxurrada de gente
bichos e casas.

Nem fortes ou frágeis mãos
se livraram da correnteza.

Carros de ferro e aço
flutuaram leves

como se fossem
garrafas pets

sem conteúdo
ou mensagem

como se nada
valessem.

Tudo ali parecia só
mais uma nota insignificante

na pauta de uma
trágica sinfonia irreal...

Uma Carmina Burana
em rotação acelerada e ao contrário

sem clave
sem pé

sem cabeça
sem tom

e que nenhum maestro
suportaria reger ou compor.

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